E eis que sob a égide de Amadeo de Souza-Cardoso, a ESA celebrou as múltiplas manifestações da criatividade humana. Exposições de pintura, ilustração, desenho, fotografia, literatura, teatro e cinema foram protagonistas na "semana interEscolas".
Mas houve espaço para acolher convidados como o jornalista Miguel Carvalho que abordou o tema da (des)informação na sociedade contemporânea e durante o Estado Novo e também para dinamizar experiências laboratoriais. Os cursos profissionais trabalharam afincadamente e a Educação Especial também esteve representada.
E, claro, que a doçaria também nos deliciou!
Espreitem algumas fotografias de alguns eventos:
Os professores Mário Peixoto e Júlio Cunha
Kali, O pequeno Vampiro (Regina Pessoa, 2012)
O jornalista, Miguel Carvalho
A professora Susana Dias
Na tua BE
Projeção de curtas metragens
Dra. Irene Da EB2, 3 de Amarante
Parabéns a todos os intervenientes e até para o ano!
As alunas, do 12º ano, Bárbara Abrunhosa, Beatriz Sousa, Carina Lopes e Sandra Pinheiro recitaram poemas de Alexandre O'Neill, António Gedeão, Eugénio de Andrade, Mário Cesariny, Manuel Alegre e Sophia de Mello Breyner Andresen acompanhadas de João César Monteiro (Sophia de Mello breyner Andresen, 1969).
"As Palavras Ficarão para sempre abertas as minhas salas negras. Amarrado à noite, eu canto com um lírio negro sobre a boca. Com a lepra na boca, com a lepra nas mãos. Este mamífero tem sal à volta, este mineral transpira, a primavera precipita-se. Com a lepra no coração. Mais de repente, só chegar à janela e ver uma paisagem tremendo de medo. E uma vida mais lenta só com uma estrela às costas, uma tonelada de luz inquieta, uma estrela respirando como um carneiro vivo. Igual a esta espécie de festa dolorosa, apenas um ramo de cabelos violentos e o seu odor a pimenta, no lado escuro como se canta que as salas vão levantar o seu voo. Ficarão para sempre abertas estas mãos exageradas em dez dedos com sono, como uma rosa acima do pénis. Ao cimo do caule de sangue, essa flor confusa. Um equilíbrio igual, só a estrela ao cimo do êxtase. Só alguma coisa parada no cimo de uma visão tremente. A primavera, que eu saiba, tem o sal como cor imóvel, Por um lado entra a noite, assim de súbito negra. De uma ponta à outra enche-se o espaço aplainando tábuas. Rasga-se seda para aprender o ritmo. Abraço um corpo com as camélias a arder. Abertas para sempre as negras partes de mais uma estação. Semelhante a isto as mulheres andam pelas galerias transparentes, e o palácio queima a noite onde estou cantando. É possível ainda cortar ao meio o ofício de ver — e num lado há espelhos bêbedos, no outro um cardume ilegível de sons obscuros. Sabe-se então pelo silêncio em volta, sabe-se em volta que são lírios sonoros. Passando as mulheres colhem estes sons irrompentes, e as mãos ficam negras junto à beleza insensata. Elas sorriem depois com um talento terrível. Levamos às costas um carneiro palpitante. Pesa tanto uma estrela quando se acorda nas salas negras abertas de par em par, e as mãos agarram um ramo de cabelos dolorosos, e sobre a boca um lírio em brasa, branco, branco, que não nos deixa respirar. A lepra na boca, que não nos deixa respirar. Um ramo de lepra contra o corpo, como isto então só o movimento de águas obscuras pelos canais de um canto, como um palácio de salas negras abertas para sempre. Este animal respira como um espelho de pé, no ar, no ar." Biografia:
Escritor português (1930-2015), natural do Funchal. Estudou na Faculdade de Letras de Lisboa, trabalhando depois como bibliotecário, jornalista e autor de programas radiofónicos. Colaborou em diversas revistas (Graal, Cadernos de Poesia, Búzio, Poesia Experimental 1 e 2, entre outras). Ligado ao movimento da poesia concretista (ou experimental), é conhecida a sua aversão a aparições públicas ou manifestações de reconhecimento da sua notoriedade. Recusou, em 1994, o Prémio Pessoa. Considerado um dos grandes escritores portugueses contemporâneos, a sua poesia tem uma densa imagética, frequentemente associada a temas ligados ao questionamento do eu, à presença de medos, ao conhecimento do humano, temas ligados por vezes a um certo misticismo, servidos por uma linguagem original e de grande riqueza metafórica. Estreou-se com O Amor em Visita (1958), publicando, em 1963, um dos seus livros mais célebres, Os Passos em Volta (contos). A sua obra poética inclui ainda A Colher na Boca (1961), Poemacto (1961), Retrato em Movimento (1967), Ofício Cantante (1967), O Bebedor Nocturno (1968), Vocação Animal (1971), Poesia Toda (1973 reeditado em 1981 e 1991), Cobra (1977), O Corpo, o Luxo, a Obra (1978), Photomaton & Vox (1979), A Cabeça entre as Mãos (1982, Prémio de Poesia de 1983 do Pen Clube Português), Edoi Lelia Doura. Antologia das Vozes Comunicantes da Poesia Portuguesa (1985), Flash (1986), As Magias (1987), Do Mundo (1994), Ouolof (Poemas Mudados Para Português) e Poemas Ameríndios (Poemas Mudados Para Português), ambos em edições datadas de 1997. Em 2001, publica Ou o Poema Contínuo.