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quinta-feira, 30 de novembro de 2017

FERNANDO PESSOA


A 30 de novembro de 1935, falecia Fernando Pessoa. Partindo do estudo do poeta desenvolvido na disciplina de Português com a Professora Ana Cristina Coutinho, a BE e a turma de Artes Visuais assinalam a data com uma exposição de trabalhos realizados sob a orientação do Prof. Júlio Cunha. 
Visita a exposição patente no cooredor da Biblioteca.











segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Os Direitos da Criança e a Convenção da ONU. (7º C /D e 12º AV)








A BE assinalou, no dia 20 de novembro, o 28º aniversário da Convenção dos Direitos da Criança da ONU. As atividades foram desenvolvidas na biblioteca ou em sala de aula, a maioria delas no âmbito da disciplina de "Cidadania e Desenvolvimento" ou em parceria com os Diretores de Turma. Também os alunos do 12º AV se debruçaram sobre alguns artigos da Convenção. 
Aqui ficam alguns dos trabalhos que resultam da reflexão efetuada pelos nossos alunos.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Reflexão sobre o Holocausto. Por Diogo Abreu, 8º A


"Holocausto – assassinato em massa de cerca de seis milhões de Judeus, durante a II Guerra Mundial, comandado por Hitler.

No passado dia quatro de outubro, a turma assistiu a um documentário sobre o Holocausto, após o estudo de um excerto do livro “O Diário de Anne Frank”, de Anne Frank.
Em primeiro lugar, este documentário sensibilizou-me bastante, desde o início. Logo num dos primeiros minutos ouvi a frase “No fim de tudo vou para o céu, já estive no inferno” dita por um dos sobreviventes daquele forte combate. Esta frase ficou-me na cabeça pois, muitas vezes, nós fazemos do inferno uma coisa mínima e insignificante, ao contrário deste lutador que sobreviveu à fome e a trabalhos duros, à guerra e à falta de condições de vida, enquanto escravo/ prisioneiro. 
O vídeo que foi mostrado relata e retrata muito bem a situação que os Judeus Europeus e os Americanos viveram naquela altura. Durante a visualização do mesmo “transpira” o medo de infringir qualquer regra, pois caso isto acontecesse eram logo submetidos a maus tratos por parte dos soldados Alemães, que se provaram mais fortes nesta guerra. 
Outra coisa notória no documentário era a falta de nutrição dos prisioneiros escravos, alguns deles chegavam a comer os próprios piolhos para tentar sobreviver. Outra parte deste documentário que também considero relevante, por causa da maldade que contém, foi o facto de um dos sobreviventes dizer que tinha um colega que estava fraquíssimo e pediu a um soldado alemão para o deixar descansar em vez de ir fazer o trabalho pesado nos túneis de Hitler, e este, cheio de crueldade, pegou num balde de água gelada e atirou-lhe para cima, matando-o imediatamente. Este tipo de atitudes deixa-me a pensar, o que é que as pessoas daquela altura ganhavam com a morte das outras? Se fosse eu no lugar daquele soldado alemão, que até era privilegiado por não ter de fazer mão-de-obra escrava, ajudava o pobre prisioneiro e deixava-o descansar, em vez da atitude maligna que teve. É de facto triste ver a situação em que eles se encontravam … Viviam também cerca de duzentos prisioneiros numa casa com espaço equivalente às que temos hoje em dia para dois ou três filhos, sem condições mínimas, falta de higiene, sem ninguém para os apoiar! Não me consigo sequer imaginar numa situação parecida!
Afastando-me um pouco da guerra, mas dando seguimento ao comentário, havia os outros Judeus espalhados pela Europa que também foram vítimas do Holocausto. 
Famílias inteiras a serem mortas por causa da religião … isto é outro assunto que me faz alguma confusão, pois cada um é livre de acreditar em quem quer e isso não devia ser motivo de guerra e morte, muito pelo contrário. Todos deviam ajudar-se!
É realmente impressionante a tristeza que os sobreviventes transpareceram enquanto falavam desta experiência, pois por mais anos que se passem vai ficar para sempre na memória deles e das suas famílias…
Para terminar e com base no documentário, queria incentivar-vos a dizer “Não!” a qualquer situação deste género. Todos sabemos que, por vezes, vimos situações trágicas, pessoas diferentes, entre outras, mas não devemos entender isso como motivo para brincadeira!  
Queria também dizer-vos e agora usando um termo mais do nosso quotidiano que a “porrada” não é solução para nada, não há nada como uma boa conversa para resolver assuntos!
Outro aspeto que vos quero alertar é para nunca tirarem a liberdade nem a alegria de viver a ninguém, se fosse ao contrário também não gostaríamos!!


F I M"

Diogo Abreu, 8º A

O Holocausto. Por Rita Lírio, 8º A


"Como já vimos, o Holocausto é o assassinato em massa de cerca de 6 milhões de Judeus durante a segunda guerra mundial, comandado por Hitler. Mas, afinal, não foram só os Judeus que sofreram, muitos soldados americanos sofreram tanto ou mais que os Judeus. A maior parte das pessoas pensa nos americanos como libertadores, mas ninguém pensa neles como vítimas do Holocausto. Até mesmo as crianças foram levadas e aprisionadas, mesmo essas que nunca iriam perceber o que se estava a passar!
Quando Hitler invadiu Hungria, quando os nazistas húngaros estavam no poder, garantiu-se às famílias que o trabalho e a comida eram bons, mas era tudo uma mentira. Todos os que embarcavam no comboio eram inocentes e não faziam ideia do que os esperava! Eles ainda acreditavam que iam para Alemanha trabalhar, só depois descobriram que estavam a caminho da Polónia, mais propriamente, um dos campos de concentração mais secretos de Hitler. Todos os bens foram retirados às famílias. Durante a viagem, alguns dos mais idosos já estavam a morrer e outros simplesmente enlouqueciam. Depois disso, os prisioneiros tinham a seguinte orientação: vida ou morte, mais propriamente, direita ou esquerda, respetivamente, se fossem pela direita, iam fazer trabalho escravo, se fossem pela esquerda iam para a câmara de gás! Ninguém sabia o que o esperava, provavelmente eles achavam que qualquer um dos lados seria igual, mas não, se alguém soubesse que um dos lados significava morte entrava em desespero para saber em qual fila iria ficar, pelo menos se fosse eu era assim, enfim.
As pessoas que foram para a direita, ou seja, vida, foram trabalhar para minas quentes, com o ar abafado, para retirar das rochas todas as preciosidades que lá encontrassem.
Durante o tempo em que estavam dentro das minas, não podiam comer nem beber, e eles entravam lá de manhã e saíam a noite, aquilo devia ser um calor desgraçado! Ainda por cima sem poder beber um único golo de água. Eu imagino um ambiente assustador, o chão coberto de pessoas mortas, estar a respirar o suor de quem conseguia sobreviver e o cheiro horrível das pessoas que iam morrendo, é repugnante só de pensar. Os prisioneiros tiveram de abandonar o campo de concentração de Berga, devido às forças aliadas que se aproximavam. Todos eles caminhavam muito, andavam mais de 25 quilómetros por dia. Se para uma pessoa com saúde caminhar tanto já era muito cansativo, então imagino os prisioneiros, devia ser pedir para morrer, andar tanto com tão pouca saúde não devia ser tarefa fácil, sobretudo porque estavam magríssimos, cheios de fome e cheios de sede. Para os que estavam pior ainda se fazia uma distinção entre judeus e soldados americanos. Se fossem judeus e estivessem a atrasar o grupo, levavam logo um tiro, se fossem soldados americanos ainda tinham a possibilidade de ir num carrinho puxado por outros americanos. Nesses carrinhos podiam ir até 10 pessoas com conforto, mas iam lá 30 a 40 pessoas amontoadas. Não sei se seria pior levar um tiro ou ir na parte de baixo do carrinho a sufocar! Mais uma vez, imagino um clima horrível, ir a caminhar, olhar para o lado e só ver pessoas mortas todas empilhadas na berma da estrada!
Já tinham feito mais de duzentos quilómetros quando viram tanques com uma estrela… eram as forças aliadas, estavam salvos... Tinham sido muitas semanas de tortura, mas finalmente tinha acabado.
Todos os sobreviventes são guerreiros, e mesmo os que não sobreviveram também o são! Não consigo imaginar o quão mau será ter passado por aquilo. Os que sobreviveram devem ter ficado com memórias e imagens horríveis na cabeça. No fim disto tudo, eles sabem que vão para o céu, porque já viveram no inferno.
Para concluir, resta-me dizer que não importa se são Judeus, cristãos, islamitas, hinduístas, budistas ou pessoas de qualquer outra religião, não deveria existir a palavra Holocausto no nosso dicionário, o que significaria que não teria acontecido essa tão grande tragédia. Também não importa a cor, a língua, não importam os costumes, os gostos, não importa a forma dos olhos ou a cor do cabelo, não importa se é gordo ou magro, se é alto ou baixo, se é rico ou pobre, não importa de que desporto gosta, não importa se vai muitas vezes a festas, nada disso importa!! Mas a nós, os humanos, qualquer coisa nos serve para magoar alguém, a única coisa que eu sei é que o preconceito vai ter de acabar, eu não gostava se fosse comigo, e vocês também não gostavam se fosse convosco. Não importa nada, porque todos nós somos diferentes e todos nós somos iguais!"
Rita Lírio – 8ºA

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Holocausto. Por Beatriz Basto, 8º A

 
"Holocausto foi um assassinato em massa de cerca de seis milhões de Judeus, durante a 2ª Guerra Mundial, comandada por Hitler.

Vocês estão a imaginar o que deve ter sido ter passado por este horror? O que eles sofreram? O que eles rezaram para que, no fim deste mal-entendido, tudo ficasse bem e pudessem voltar para as suas famílias e vê-los sorrir de novo? Conseguem imaginar a dor? 

Pois, para alguns, isso até foi possível, mas nem para metade, isso foi concretizado, porque morreram! De nove milhões de judeus, um terço, ou seja, três milhões, TRÊS MILHÕES de pessoas foram mortas por haver loucos que não aceitaram que poderia existir mais do que uma religião! 
Na minha opinião, o que aconteceu foi completamente inadmissível! Eu não consigo sequer imaginar a dor que todas estas pessoas passaram! Nunca na vida conseguiria estar separada da minha família!
A maior parte das pessoas não sabe o que realmente aconteceu, porque não foram apenas os judeus que passaram por isto, muitos americanos foram forçados ao trabalho escravo num dos mais secretos campos de Hitler. Pensa-se que os americanos foram apenas libertadores, mas não! Eles foram tão vítimas como os judeus!
Neste documentário, três dos sobreviventes contam o que passaram, dizendo que se lembram de tudo como se fosse hoje. Um deles era um paramédico e conta que, durante a guerra, encontrou um soldado que tinha a perna presa apenas por ligamentos. Nesta grande derrota, os americanos sentiram a dura mudança de passar de guerreiro para prisioneiro.
Eu fiquei tão aterrorizada por ver o que vi! Quando, por exemplo, eles vinham dos túneis, vinham tão, mas tão sujos e os piolhos eram cada vez mais! Alguns estavam tão mal e tão esfomeados que começaram a comer os próprios piolhos! Eu acho isso tão repugnante! Mas eles estavam tão esfomeados, que era a única opção para eles! 

19 De abril de 1945

Neste dia, tudo mudou! Quando os soldados ouviram os barulhos das metralhadoras, e tinham percebido que os americanos, que os iam libertar daquele horror, estavam próximos! 
Todos os que tinham sobrevivido estavam num celeiro e combinaram que, no dia seguinte, quando os acordassem, ficariam imóveis. 
O comandante Matches, abandou o posto, fugindo, porque não queria ser apanhado pelos soldados americanos!

Eu sinceramente não consigo entender a razão de tudo isto. As pessoas podem ter mudado, mas, se pensarem bem, fazem exatamente o mesmo só que doutras formas!
 Não percebem que magoam os outros e fazem-no com uma simples palavra, mas muitas vezes isso é mil vezes pior que muitos atos. Neste caso, penso que não. 
Nos dias de hoje, ainda bem que já não existe nada disto nem as pessoas são assim tão cruéis, pelo menos algumas!! 

O que eu gostava mesmo de perceber, era o facto de se discriminar as pessoas pela sua religião, cor, nacionalidade ou aspeto, porque parece que tudo o que alguém tem diferente de outro é motivo para discriminar!

Cada um é como é, e não é preciso mudar isso!"
Beatriz Basto, 8º A

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A Biblioteca Escolar agradece à Prof. Teresa Mafalda e à Beatriz Basto este trabalho.Parabéns. 

O holocausto. Por Bárbara Silva, 8º A

"O holocausto

Soldados Americanos como Tony Azevedo, Ed Slotkin e Norman Fellman contaram-nos a experiência pela qual foram obrigados a passar.

No inverno de 1944, o exército nazista alemão contra-atacou os americanos na batalha de Ardeles, até que a um dado momento os alemães surpreenderam os americanos aparecendo com um tanque de guerra! Mas, havia um problema! Os soldados americanos tinham ficado sem munições o que os levou a terem que se render aos alemães.
Cerca de vinte e três mil americanos foram levados para um campo de concentração máxima em Berga, onde foram aprisionados juntamente com judeus e separados de acordo com a sua região.

Nesse campo de concentração máxima, tanto judeus como americanos foram torturados, humilhados, escravizados e mortos.
Todos os dias eram obrigados a trabalhar até morrer, trabalhavam em grutas onde muitos morriam sufocados pela poeira, passavam várias horas sem comer, sem beber e chegavam a perder vinte a trinta quilos de peso.
Pessoas que se encontravam completamente desnutridas, pois eram expostas, todos os dias, a condições desumanas e favoráveis ao aparecimento de doenças graves devido à falta de higiene. Muitos chegavam a ganhar piolhos que passavam de uns para outros. Como não tinham o que comer alimentavam-se dos próprios piolhos para não morrerem à fome.
Se alguma coisa corresse se mal, tanto os americanos como os judeus sofriam as represálias (eram espancados e, muitas vezes, mortos pelos alemães).

Passaram-se dois meses e os americanos e judeus começavam a ficar sem esperanças de sair dali. Mas, a uma dada altura, o exército americano preparava-se para atacar os alemães e foi nesse dia que tanto os americanos como judeus perceberam que finalmente seriam pessoas livres!
Uma experiência traumática e aterradora perceber que de um dia para outro a nossa vida pode mudar radicalmente! Não sei se teria a mesma força e bravura que muitas daquelas pessoas tiveram ao conseguir passar por aquilo e, mais tarde, contar-nos essas vivências e torturas a que foram sujeitas.

Muitos desses momentos aterradores foram registados num diário por alguns homens que por aquilo passaram. Essa é a prova para mostrar a muita gente que pensa que isto nunca aconteceu! Na verdade, isto aconteceu tanto com soldados americanos como judeus, que foram vítimas do holocausto.

Muitas pessoas pensam nos americanos como libertadores, mas ninguém pensa nos americanos como vítimas do holocausto!"
Bárbara Silva, 8º A

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A Biblioteca Escolar agradece à Prof. Teresa Mafalda e à Bárbara Silva este trabalho.Parabéns. 


terça-feira, 18 de outubro de 2016

É possível descodificar uma Cidade? Poema de Ricardo Cunha (12.º CLH1)

"Amarante

Terra de ponte velha

São Gonçalo pintado em aguarela

Terra de ponte nova 

Com gente velha de baixo da cova

A festejar durante os meses de verão

Por entre as margens do rio são

Recordam a memória

Da história findada."

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P.s.: A ilustração também é da autoria do Ricardo.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

"Excelência: a linha entre o estereótipo e a realidade". Por Carina Lopes, 12.ºCLH1

Eis um texto brilhante e a incitar a nossa reflexão da aluna do 12.º CLH1, Carina Lopes. Esta jovem obteve  19 valores nos exames nacionais de Filosofia e de Literatura Portuguesa! 
A Biblioteca Escolar felicita-te  por seres dotada de uma elevada consciência crítica e por estares sempre dísponível para colaborares connosco noutros projetos.

"Excelência: a linha entre o estereótipo e a realidade

De acordo com o estereótipo vigente, um aluno que seja considerado um estudante de excelência é alguém que alcança resultados bastante elevados a nível das avaliações académicas, é alguém cuja percentagem avaliativa referente ao comportamento é, quase invariavelmente, máxima, uma vez que se pressupõe que um aluno com muito bom aproveitamento, para alcançar este patamar, cumpra os requisitos estipulados no parâmetro “Saber ser/estar”.

Não será esta ótica redutora? Existirão, certamente, alunos com ritmo de trabalho, disciplina e método que, por motivos externos de vária ordem, não conseguem atingir determinado patamar em termos avaliativos. Isso retirar-lhe-á mérito ou reconhecimento? Colocá-los-á num patamar inferior? Segundo a minha opinião, definitivamente não.

A competitividade é uma característica imanente e inexpugnável da vida humana coletiva. É o que nos faz perseguir um aprimoramento constante das nossas capacidades pessoais e cognitivas de modo a sermos sempre melhores do que aquilo que fomos no passado. Deve nascer da consciencialização reflexiva da necessidade de evoluir e da recusa da estagnação e do conformismo.

A escola, enquanto microcosmos da realidade, é a primeira ambiência em que o Homem se confronta com a competitividade perante o outro. Neste espaço, a competitividade encontra-se enraizada no sentido de prostrar o corpo escolar perante o culto do resultado. Todos os problemas com que a escola se debate, todas as medidas e ações que o Governo empreende são no sentido da melhoria dos resultados nacionais. Verifica-se um primado do valor quantitativo que se atribui ao trabalho de um aluno em detrimento da qualidade de todo o processo que envolveu a produção do mesmo. Porque qualidade nem sempre pode ser convertida num valor numérico. E, regida somente por números, a mundividência de um aluno do séc. XXI é pautada por uma conceção distorcida de excelência.

A verdadeira e única excelência é aquela que advém de uma vontade pura de nos dedicarmos ao trabalho pelo mérito que ele por si só confere a quem o pratica. Excelência é a devoção pelo que se faz, é o suor do esforço, é a resiliência dos que falham e prosseguem o seu caminho, porque compreendem que o sucesso não é um caminho linear até ao topo. Por vezes, temos de regredir e voltar a aprender, temos de manter a motivação perante a eminência do fracasso.

A aparição do sucesso é multifacetada dependendo de como cada pessoa o perceciona. Assim como no mundo atual, este nem sempre é sinónimo de dinheiro e fama, na escola, o sucesso nem sempre surge na forma de um 20 estampado no enunciado de um teste. Sucesso encontra-se na simplicidade de ir gradualmente ultrapassando pequenas dificuldades, encontra-se na compreensão de que o conhecimento não é um dado adquirido mas uma construção que exige labor e que extravasa os limites da sala de aula. O conhecimento, assim como o aluno, deverá encontrar-se em constante mutação e deverá fornecer ao aluno ferramentas que lhe permitam desenvolver processualmente as suas capacidades para singrar na vida. Porque ser aluno não é nada mais do que a profissão da conquista da autonomia.

Enquanto estudante, é fulcral, ao serviço do alcance da excelência, a definição da importância do papel da Escola na vida de cada um e a partir daí desenvolver o espírito crítico, tendo como horizonte a máxima rentabilização das capacidades que cada um tem, o que exige autoconhecimento.

Um aluno excelente é capaz de apurar o conhecimento teórico que deverá ser convertido na conduta prática quotidiana de cada um e dotar-se da capacidade de empreender escolhas inteligentes na vida, escolhas essas que, a meu ver, abrangem todas as decisões que lhe proporcionarão “felicidade” futura a longo-prazo.

A vertente humana também deverá estar patente no percurso escolar de um aluno de excelência, na medida em que a excelência não é, nem pode ser, egoísta. O sucesso procura a partilha, a solidariedade para com o outro e a contribuição para o progresso coletivo.

E por último, mas não menos importante, um aluno de excelência é aquele que olha com realismo para o seu trabalho, para os seus pontos positivos e para as suas lacunas, e valoriza o esforço que nele deposita, sendo capaz de refletir introspetivamente quando a sua obra é, ou não, merecedora de orgulho. Os erros deverão ser reconhecidos e apreendidos como um acumular de experiência a não repetir no futuro e as vitórias deverão ser celebradas mas nunca uma oportunidade de comodismo.

É quase utópico pensar que alguém possa reunir em si todas estas características. Parece ainda algo mais irreal quando o assunto são estudantes que parecem cada vez mais repudiar a escola e quando fatores externos, como a relação professor/aluno, são dados fundamentais difíceis de equacionar. No entanto, é perseguindo utopias que se revoluciona e aperfeiçoa a realidade. E a mim parece-me que nunca foi tão necessária a alteração da definição de sucesso escolar. E, demarcando excelência de perfeição, eu considero que a vida, enquanto aprendizagem em constante devir, é a oportunidade de alcance de sucesso que deverá ser aproveitada ao máximo por todos aqueles que têm o privilégio de a poder iniciar em ambiente escolar. Nem todos o veem porque a pressão e o stress que advêm do mero alcance dos resultados, que por si só são vácuos, turvam cada vez mais uma perceção saudável do mundo.

Carina Lopes

Aluna do 12º ano"

quarta-feira, 18 de maio de 2016

"Navegações" de Sophia de Mello Breyner Andresen Por Joana Lopes, 10ºCT3





    O Mar é um dos temas centrais da obra de Sophia de Mello Breyner, na qual retrata o seu encanto, o seu mistério, a sua beleza, mas também o desconhecido: “Mas por mais bela que cada coisa seja/Tem um monstro em si suspenso”.
  Desta forma somos convidados a experienciar por momentos e de longe um pouco do que foi a vida à procura do desconhecido. Assim, entramos com Sophia em “Navegações”.
  Em 1977 Sophia de Mello Breyner foi convidada pelo Conselho da Revolução a participar na celebração do Dia de Camões (10 de Junho), em Macau. Assim sendo, o livro é como que um roteiro poético da sua viagem.
   Começamos a ler “Lisboa” e a ver Lisboa pelos olhos da poetisa: “E a cidade a que eu chego abre-se como se do seu nome nascesse”. É como que se a cidade surgisse num corpo (personificada), com “nome”, a “sorrir” e é como se a poetisa também se identificasse com esse corpo, ou seja, com a cidade “Lisboa”, tal como dia a mesma: “Digo o nome da cidade - Digo para ver”. Reforço ainda a importância dos sentidos, principalmente da visão: “ergue-se”, “abre-se”, “vejo-a”, “oscilando como uma barca”. Neste último verso, Sophia recorre à comparação, comparando Lisboa a uma cidade que estando à beira-mar, pela sua beleza nos hipnotiza.
   Continuando a viagem rumo ao Oriente pela mão de Sophia, chegamos às “Ilhas”. 
     Uma vez que se tratou de um pedido para assinalar o dia de Camões, temos os poemas I e II. No primeiro há uma referência a Camões, a “Os Lusíadas” e aos “Descobrimentos” (“Navegações para Oriente”). A importância da memória e a referência ao povo português.           No poema II invoca novamente Camões, “Os Lusíadas” e o povo português representado pelos marinheiros: “Aqui desceram as âncoras/Daqueles que vieram procurando/O rosto real de todas as figuras”. Ou seja, de todos os corajosos que vieram à procura do desconhecido e se aventuraram nas suas navegações.
     Nos poemas II, IV, V e VI, continuamos a nossa viagem, atravessando com a poetisa o mistério e a beleza do Oriente: “Atravessamos do Oriente a grande porta/ De safiras azuis no mar luzente”. No poema V continuamos a assistir a uma descrição do sonho que foi concretizado tanto por nós, povo português, como pela escritora no momento em que escreve: “E aquilo que nem sequer ousáramos pensar/ Era o verdadeiro”. O poema VI reforça a coragem e a persistência dos portugueses, que mesmo perante as adversidades, continuaram a sua descoberta, até “Depois surgiram as costas luminosas”. No poema VII há uma referência a D. Sebastião cuja morte foi de difícil aceitação, “Difícil é saber de frente a tua morte”.
     Continuando, entramos na última parte do livro e da sua viagem, a “Deriva”. 
    Inicialmente nos poemas I e III invoca novamente Camões e “Os Lusíadas”, mais precisamente o episódio “A Tempestade”: “As velas todas brandamente inchadas” e refere os comuns “azuis temporais”. No poema II fala da “rota do oiro” e de toda a riqueza que esta trazia e gerava.       Porém, no poema IV invoca Bartolomeu Dias, que considera ter sido o maior navegador português de sempre. Diz ainda que também ele dobrou o Cabo Bojador, mas não encontrou a Índia. No poema V, reconhece a existência de uma barreira linguística que separava os negros dos brancos e como a dança os unia e servia de “ponte” entre as duas culturas. Já no poema VII, com uma imensa beleza pura, descreve os “homens ainda cor de barro” a luzir na “primitiva manhã da criação” e que atónitos, ao ver os portugueses, achavam que eles eram os seus deuses antepassados. No poema VIII dá-nos a conhecer tudo o viu, ouviu, sentiu e viveu, mas admite que com tudo o que experienciou, não foi capaz de cumprir as regras. Mais tarde, no poema XIII, é visível uma procura de identidade, da felicidade, da satisfação. Aí, invoca Fernando Pessoa para quem “O Mito é nada que é tudo”. Finalmente, no poema XV, conta-nos um pouco do seu regresso novamente a Lisboa: “Navegação Inversa”.
    Aconselho vivamente a leitura do livro “Navegações”, pois faz-nos viajar no tempo, no espaço, relembrar as memórias e viver o passado no presente. 
Joana Lopes, 10ºCT3, nº15

“As Viagens de Gulliver” de Jonathan Swift. Por Maria Duarte,10º CT3



O autor, nascido a trinta de novembro de mil seiscentos e sessenta e sete em Dublin, publicou a obra “As Viagens de Gulliver” em mil setecentos e vinte seis, obtendo um êxito instantâneo.
O protagonista da obra é Lemuel Gulliver, um cirurgião inglês que viaja por diversas terras em busca de aventuras. Em todas essas viagens ocorreram incidentes que o encaminham a localidades muito peculiares.
É nessas terras que Gulliver entra em contacto com povos totalmente diferentes, acabando por experienciar novas culturas.
Na minha opinião, esta obra é de leitura obrigatória visto que, passados mais de duzentos anos, continua a ser muito atual e adequa-se a qualquer geração.
Esse é um dos seus pontos positivos, pois, embora seja uma sátira, a forma como está escrita permite que seja de leitura universal.
A maneira como a obra está estruturada permite situá-la entre um diário de bordo dado que relata as aventuras vividas por Gulliver ao longo de várias viagens, mas ao mesmo tempo um registo de caráter autobiográfico revelando marcas pessoais, como se verifica na seguinte passagem:
“Meu pai, modesto proprietário na província de Nottingham teve cinco filhos, e a mim (...) mandou-me aos catorze anos para o colégio Emanuel, de Cambridge (...)”.
O facto de Swift recorrer variadas vezes à descrição minuciosa permite ao leitor ávido “multiplicar os mundos possíveis” que qualquer devorador de livros deseja aquando da leitura dos mesmos.
No início da viagem, o narrador diz:
“Iniciei esta viagem desesperada a 15 de fevereiro de 1715, às 9 da manhã. O vento estava favorável (...) avancei à média de uma légua e meia por hora, segundo os meus cálculos aproximados”- fazendo-nos pensar que se trataria de uma simples história sobre um cirurgião naval ousado e os seus relatos de viajante, mas, na verdade, a obra é muito mais do que isso, é uma sátira à natureza humana.
Através da fantasia e despertando o prazer da ficção, Swift escreve um livro político para criticar fortemente os vícios e costumes da sociedade vigente em Inglaterra nos finais do século XVIII.
Naturalmente, o facto de esta obra mascarar uma crítica tão profunda de uma forma tão subtil faz com que se torne ainda mais interessante e sedutora.
Neste aspeto, Jonathan assemelha-se a Gil Vicente, que recorreu ao texto dramático para criticar os costumes da sociedade portuguesa como é percetível em obras como “Farsa de Inês Pereira” ou “Auto da Barca do Inferno” exploradas nas aulas de português.
Além disso, a obra de Swift relaciona-se tematicamente com “Os Lusíadas” e a “História Trágico-Marítima”onde os aspetos do valor simbólico das viagens e o encontro de civilizações são também exploradas.
Fazendo um balanço final, considero esta obra genial pelo facto de ocultar uma sátira tão acutilante.
“As Viagens de Gulliver” permite despertar o espírito que é tão importante enquanto fator de mudança social por isso penso que a sua leitura é de extrema importância, especialmente na minha faixa etária, uma vez que somos os jovens de hoje, os adultos de amanhã.



Maria Duarte, nº22, 10º CT3.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Manifesto anticonformismo. Por Sandra Pinheiro, 12.º CT2



"Segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Manifesto anticonformismo e por extenso (inspirado no manifesto anti Dantas de Almada Negreiros)

BASTA! PUM! BASTA!

Basta de hipocrisia, basta de homens que só dormem e repousam! Abaixo a pseudo santíssima ignorância da juventude!

ABAIXO O CONFORMISMO! MORRA O CONSOLADO E O PANÇUDO, MORRA O OCIOSO! PIM!

Um país com belas-adormecidas no comando é um conto de mediocridade para crianças!!!

UMA GERAÇÃO com homens que se deixam roubar e matar por outros é uma geração que nunca o foi! 

Não se conformem com o corrupto!

Não anestesiem os jovens estudantes com educação retrógrada!

ABAIXO O PAÍS A GRANEL! Pesado com a crença, de que os homens se deixam levar pelo poder! PELO DINHEIRO! PELO DINHEIRO! PELO DINHEIRO!


BASTA! PIM! BASTA!

O povo critica tudo, o povo sabe de tudo, o povo vota, o povo lambe a bota, o povo desenterra a bota! Mas se ordenam o povo calçar a bota – ELE NÃO A PODE CALÇAR! Basta de ordens hediondas que nos tomam a dignificação! Os tugas são amadores de profissão! PIM!

Se querem criados e conformados, comprem máquinas e aspiradores!

ABAIXO O COMODISMO DE TODOS OS DIAS, DE TODAS AS MULHERES E DE TODOS OS HOMENS! ABAIXO O COMODISMO DA GERAÇÃO!

Os heróis que o poeta canta estão cansados de fazer nada, Pim! Compram-se outros com a descida do Iva da água!

Os corruptos são banqueiros, sapateiros, cabeleireiros, empreendedores de obras magnas, mas são todos malabaristas e palhaços!

Que ratos, porcos malcriados e barões cansados de extrema e eficaz incompetência que não sabem viver além da dormência! Basta!

Suma-se com o ócio, com os cordeiros iletrados que não vão por onde querem, mas por onde os mandam! Chega de políticos de ocasião que só sabem dar sermão, BASTA DE EMIGRAÇÃO!

O povo manifesta mas não vota! O povo critica e mal diz mas não se descobre, do húmus em que está enterrado, da gordura em que está banhado!

AHH! O Salgado é tão economista como o Arroja é feminista!

O Aníbal precisa de descanso como eu preciso da reforma! PIM!

O Portas só come vichyssoise em grandes submarinos! PUM!
Manifesto anti Veiga, manifesto anti manifesto!

Abaixo a dormência do povo! Basta! Pum! Basta desta trambolhada de lusos! Os tugas só sabem da poda! Os lusos não andam na moda! Os lusos compram Prada e não lavam os pés!

Basta! Se Portugal está minado com ladrões e parasitas a culpa é de quem dorme a sesta! Pim! Abaixo os impostos aos ferraris e a viaturas de alta gama! Os milionários choram antes de ir para a cama! BASTA DO PAÍS LETÁRGICO! ABAIXO O PAÍS ESTAGNADO! Pim!

Morte à serenidade da companhia! Morte aos que matam!

Morte aos toureiros, palhaços distintos com faca afiada! Basta, pum, basta desta palhaçada engraçada com praça decorada! BASTA DE GRANDES NOMES EM PLACAS DOURADAS! BASTA DE DORMIR, PIM!

Morra o que dorme, Morra! Morra o hipócrita, morra!

Morra Portugal atrasado e corrupto, morra!

BASTA! PIM! BASTA!"

terça-feira, 12 de abril de 2016

Análise da obra “Teoria Geral do Esquecimento”. Por Luís Barros Pereira (11.º CT5)




A “Teoria Geral do Esquecimento”, de José Eduardo Agualusa, começa nas vésperas da independência de Angola, em 1975, e conta a história de Ludovica, Ludo, uma portuguesa exilada em Angola, que, alarmada pelos acontecimentos, se empareda no seu apartamento, onde permanece isolada cerca de 30 anos. 
Enquanto emparedada, Ludo assiste à guerra civil com cada vez menos consciência do que se passa lá fora: as pilhas do seu rádio acabam e ela tem de fazer o seu próprio juízo dos incidentes que vê na rua.
Da vista altaneira do apartamento, ela observa “boa parte da cidade”, pesca galinhas do andar inferior, cultiva legumes e frutas no terraço.
“Às vezes, vejo um macaco passeando-se pelos ramos, lá no fundo, por entre a sombra e os pássaros. (...) Dei-lhe um nome: Che Guevara, porque tem um olhar um pouco trocista, rebelde, uma altivez de rei que perdeu o reino e a coroa.”
Os acontecimentos, aparentemente desgarrados, que testemunha do alto da sua varanda são magistralmente entretecidos, pelo escritor, na teia de acontecimentos dramáticos ou pitorescos que foram a vida de Angola pós-independência. 
Aparentemente, há aqui um simbolismo, o descomprometimento de Portugal na conturbada fase pós-independência de Angola. 
Mas também o ponto de vista de uma mulher estrangeira: o que seria expectável por aqueles que à sua frente travam uma batalha de vida ou de morte por ideais, quando à distância parecem meninos parvos matando-se uns aos outros. 
Ou, vendo o romance de uma perspetiva histórica: sugere-se a capacidade de Angola para reinventar a sua história, que é um tema recorrente na obra de Agualusa; as pessoas são consideradas, num momento, heróis, no seguinte, vilões. E, para o ilustrar, entra em cena o elenco de apoio – as pessoas que Ludo vislumbra do seu terraço – que experienciam reversões de fortuna ou procuram o “esquecimento” a que alude o título.
“Um homem com uma boa história é quase um rei”; esta frase conclui um capítulo onde o escritor faz uma reflexão sobre como os angolanos reescrevem o passado, mas também o quanto eles adoram contar histórias. E Agualusa conta aqui uma boa história: os 37 capítulos trabalhados autonomamente e entrelaçados magistralmente juntam-se no final. 
A sua narrativa é, às vezes, intencionalmente florida e exuberante, com títulos de capítulos como “Onde se esclarece um desaparecimento (quase dois), ou de como citando Marx: tudo o que é sólido se desmancha no ar”.
Por vezes, usa uma prosa poética, como acontece com a escrita atribuída a Ludo, registada nas paredes do apartamento: “Dou-me conta de que transformei o apartamento inteiro num imenso livro. Depois de queimar a biblioteca, depois de eu morrer, ficará só a minha voz. Nesa casa, todas as paredes têm a minha boca.”.
“Deus pesa as almas numa balança. Num dos pratos fica a alma, no outro as lágrimas dos que a choraram. Se ninguém a chorou, a alma desce para o inferno. Se as lágrimas forem suficientes, e suficientemente sentidas, ascende para o céu. Ludo acreditava nisto. Ou gostaria de acreditar. Foi o que disse a Sabalu: vão para o Paraíso as pessoas de quem os outros sentem a falta. O Paraíso é o espaço que ocupamos no coração dos outros.”
E, por fim, termina num aparente simbolismo cíclico, com o capítulo “É nos sonhos que tudo começa”.
“Nasceu o dia, Ludo, vamos. E avançaram ambos em direção à luz, rindo e conversando, como quem entra num barco.”
                Luís Barros Pereira, 11º CT 5

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Análise da obra “Até um dia, meu amor”. Por Susana Morais (11.º CT4)



“Até um dia, meu amor”

O livro “Até um dia, meu amor”, escrito por Paula Raposo Esteves, conta a história de Ana, uma mulher que vivia feliz com a filha Beatriz e o marido David, e que tinha uma vida estável entre o trabalho e a família.
Com a mudança de uns novos vizinhos para a casa em frente à sua, Ana depara-se com uma situação que põe em causa muito daquilo em que ela acredita. Quando o seu olhar se cruza pela primeira vez com o de João, o seu novo vizinho, Ana sente algo estranho e inexplicável, algo que nunca sentira antes, e, a partir desse dia, começa a ter uns sonhos que remontavam ao final do primeiro século do Império Romano. Nesses sonhos, ela revivia a vida de Diana, uma escrava romana.
Inicialmente, Ana considerou esses sonhos insignificantes, mas com o passar do tempo e com o aparecimento de mais pormenores nos sonhos, não só sobre a vida da escrava, mas também sobre a própria vida na época, Ana apercebe-se que aquilo não eram sonhos, mas sim memórias de uma vida passada em que ela e João tinham vivido uma intensa história de amor, daí a sensação que ambos sentiram na primeira vez que se viram. Nessa vida, Ana era Diana e João era Marcellus, um poderoso oficial romano. Ana e João eram então reencarnações da escrava e do oficial.
No passado Diana e Marcellus tinham vivido um amor profundo, mas tinham acabado separados, pois Diana morrera ao dar à luz um filho de ambos. Assim, a história repetia-se, João tinha uma grande dificuldade em deixar-se amar, não deixando que Ana se aproximasse dele.
João adoece gravemente e acaba por morrer, o que deixa toda a família de Ana de rastos, já que se tinham tornado grandes amigos dele.
Entretanto, David que descobrira o amor que a mulher nutria por João, quis pôr um fim à relação. Ana tentou explicar-lhe que, apesar de sentir um amor profundo e antigo por João, o continuava a amar como sempre o fizera, mas David não acreditou.
Na minha opinião, este livro é bastante completo, pois aborda vários temas, principalmente na parte que se passa na Roma Antiga. Nessa parte, a autora confronta-nos com problemas como a desigualdade social, a escravatura e várias questões religiosas.
Contudo, o assunto central do livro e também aquele que, no meu ponto de vista, gera maior controvérsia, é a reencarnação. Ana e João não são mais do que as almas de dois apaixonados que, privados de se amarem no passado, reencarnaram para viverem esse amor de novo. No entanto, eu acho que acreditarmos que possa existir a possibilidade de renascermos como uma nova pessoa após a nossa morte contraria muito daquilo que sabemos, do que conhecemos e aceitamos como possível.
Além disso, o livro também faz pensar sobre aquilo a que chamamos “destino”, se realmente existirá alguma força que nos aproxime de algo ou alguém, se a nossa vida estará, de algum modo, programada ou se nós seremos donos das nossas escolhas.
De um modo geral, acho que a autora conseguiu escrever a história de modo a que não nos centrássemos apenas no romance, pois insere factos históricos e coisas que nos fazem refletir, mas não deixa que percamos o fio condutor da história central.

                              Susana Morais  11º ano, Turma CT4

sábado, 30 de janeiro de 2016

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

"Flores" de Afonso Cruz comentado por Inês Moura (11.º CT4)



"Afonso Cruz nasceu em 1971, na Figueira da Foz. É escritor, realizador de filmes de animação, ilustrador e guitarrista da banda The Soaked Lamb, para a qual também compõe. 
Estudou na Escola Secundária Artística António Arroio, na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e, mais tarde, no Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira. Vive em Sousel, no Alentejo.
Publicou o seu primeiro livro em 2008, sendo o mais conhecido “Jesus Cristo Bebia Cerveja” , de 2012, com o qual ganhou, entre outros, o prémio Time Out-Melhor Livro do Ano.
“Flores” é o livro mais recente do autor, publicado em setembro de 2015. Foi escrito num iPad entre aeroportos, hotéis e cidades distintas. 
Retrata a história de Ulme e a sua tentativa de, juntamente com o seu vizinho, o narrador, recuperar a sua memória. Ulme sofreu de um aneurisma, tento perdido todas as suas memórias do campo afetivo. Recorda-se do código do seu cartão multibanco, de todas as espécies que estudou enquanto botânico, mas não se lembra do seu primeiro beijo ou de ver uma mulher nua.
A personagem de Ulme foi inspirada num guitarrista que, ao sofrer de um aneurisma, viu-se obrigado a reaprender a tocar com as suas antigas gravações, tornando-se ainda melhor músico do que o que era.
Cada descoberta da vida passada de Ulme vai iluminar um acontecimento do presente do narrador que reconstrói o passado a Ulme, enquanto este, inconscientemente, lhe constrói o presente. Juntos vão partir à descoberta da aldeia alentejana de onde Ulme é natural e recolher testemunhos sobre o seu passado.
Este livro mostra-nos a importância que os outros têm nas nossas vidas e como a sua presença nos define.
É um grito de guerra: apela para a nossa resistência e para a nossa insistência em viver otimistamente, embora saibamos o nosso fim: a morte. Ulme está às suas portas, porém não se deixa cobrir pelo “manto de desumanização” e conformidade que nos aquece. Este manto dá-nos uma certa anestesia para com o que se passa à nossa volta: deixamos de nos importar com as tragédias diárias; estas vão-se acumulando de tal maneira que nos passam ao lado e passamos a importar-nos mais com as pequenas coisas, que nos são mais íntimas: todas as notícias transtornavam Ulme, enquanto que ao narrador, apenas lhe importava se o chapéu não tinha sido deixado em cima da cama. 
Isto é-nos universal: incomoda-nos mais quando alguém nos pisa na rua, ou quando são mal-educados, do que quando ligamos a televisão e vemos que morreram 100 pessoas na China num deslizamento de terras. Criamos uma relação de hierarquização da tragédia com a proximidade dela: “O que os olhos não veem, o coração não sente”.
Tendencialmente, culpamos a rotina por isto, porém a rotina tem uma grande importância na nossa criação e na criação das relações que estabelecemos com os outros. Cria a nossa identidade: é aquilo que fazemos todos os dias, o que é repetido vezes sem conta que dita quem somos. É o molde do nosso caráter e dá coesão às nossas relações. Tudo o resto serve apenas para limar as nossas arestas; o extraordinário não nos define. Isto não significa que temos de nos deixar cair na monotonia, apenas viver as rotinas da melhor maneira, de forma a aproveitá-las.
A personagem de Ulme consciencializa-nos disto mesmo, com as suas expressões típicas (“Altitude”, “Não desistiremos”, “Entremos mais dentro da espessura”) que são precisamente um apelo a um compromisso que vai para além da superfície, um apelo à ação e à vida.
A parcela que não podemos esquecer nesta equação é o outro. Todos contribuímos para a construção da identidade de alguém, pois vemos o outro de ângulos diferentes. Nenhum destes pontos de vista é absoluto, mas a sua soma talvez esteja mais próxima de uma suposta realidade. 
Altitude, amigos! E não se desprezem uns aos outros."

Inês Moura
11º CT4