sexta-feira, 8 de março de 2013

Sigo para o Sul, Sete Mares

Poesia com cheiro a mar



 Mar

Tu perguntas, e eu não sei,
eu também não sei o que é o mar.

É talvez uma lágrima caída dos meus olhos
ao reler uma carta, quando é de noite.
Os teus dentes, talvez os teus dentes,
miúdos, brancos dentes, sejam o mar,
um mar pequeno e frágil,
afável, diáfano,
no entanto sem música.

É evidente que minha mãe me chama
quando uma onda e outra onda e outra
desfaz o seu corpo contra o meu corpo.
Então o mar é carícia,
luz molhada onde desperta
meu coração recente.

Às vezes o mar é uma figura branca
cintilando entre os rochedos.
Não sei se fita a água
ou se procura
um beijo entre conchas transparentes.

Não, o mar não é nardo nem açucena.
É um adolescente morto
de lábios abertos aos lábios de espuma.
É sangue,
sangue onde a luz se esconde
para amar outra luz sobre as areias.

Um pedaço de lua insiste,
insiste e sobe lenta arrastando a noite.
Os cabelos de minha mãe desprendem-se,
espalham-se na água,
alisados por uma brisa
que nasce exactamente no meu coração.
O mar volta a ser pequeno e meu,
anémona perfeita, abrindo nos meus dedos.

Eu também não sei o que é o mar.
Aguardo a madrugada, impaciente,
os pés descalços na areia.

                      Eugénio de Andrade,  Poesia toda

quinta-feira, 7 de março de 2013

Ideias giras



 Home é uma instalação do artista colombiano Miler Lagos.
Um iglo construído totalmente com livros velhos.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Ainda o Mar... e um livro

A Menina do Mar é o primeiro conto de Sophia para a infância e foi editado, pela primeira vez, em 1958.
Tendo a praia como cenário, este conto revela-nos uma história de amizade entre um rapaz e a Menina do Mar. Cada um vive no seu mundo, o rapaz na terra e a menina no mar, mas a curiosidade de ambos leva-os a querer partilhar essas diferenças: a menina fica a saber o que é o amor, a saudade e a alegria; o rapaz aceita viver com ela no fundo do mar.   
                    
   Sinopse da Porto Editora

Semana da Leitura - Programa


terça-feira, 5 de março de 2013

segunda-feira, 4 de março de 2013

O Cantor da epopeia marítima de Portugal


No contexto do mote da Semana da Leitura, o Mar,  não podíamos deixar de evocar o glorioso e " imortal cantor das glórias de que se ufana Portugal" Luís de Camões (Emanuel Paulo Ramos in Introdução/ Breves estudos da 3ª edição de Os Lusíadas) 

Os Lusíadas, Canto I
AS armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram
.