quinta-feira, 28 de maio de 2015

Poema de Mário Cláudio


FELES

Por todo um Inverno,
O amor lhe dilacerou o ventre,
Com fundas garras de gelo.

E a Primavera zumbiu,
Sobre sua cabeça,
Numa vertigem de pólen.

Senta-se agora,
Junto à lareira do Outono,
E é um bule de porcelana.

Mário Cláudio, Dois Equinócios, Porto, Campo das Letras, 1996.

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