quarta-feira, 18 de maio de 2016

“As Viagens de Gulliver” de Jonathan Swift. Por Maria Duarte,10º CT3



O autor, nascido a trinta de novembro de mil seiscentos e sessenta e sete em Dublin, publicou a obra “As Viagens de Gulliver” em mil setecentos e vinte seis, obtendo um êxito instantâneo.
O protagonista da obra é Lemuel Gulliver, um cirurgião inglês que viaja por diversas terras em busca de aventuras. Em todas essas viagens ocorreram incidentes que o encaminham a localidades muito peculiares.
É nessas terras que Gulliver entra em contacto com povos totalmente diferentes, acabando por experienciar novas culturas.
Na minha opinião, esta obra é de leitura obrigatória visto que, passados mais de duzentos anos, continua a ser muito atual e adequa-se a qualquer geração.
Esse é um dos seus pontos positivos, pois, embora seja uma sátira, a forma como está escrita permite que seja de leitura universal.
A maneira como a obra está estruturada permite situá-la entre um diário de bordo dado que relata as aventuras vividas por Gulliver ao longo de várias viagens, mas ao mesmo tempo um registo de caráter autobiográfico revelando marcas pessoais, como se verifica na seguinte passagem:
“Meu pai, modesto proprietário na província de Nottingham teve cinco filhos, e a mim (...) mandou-me aos catorze anos para o colégio Emanuel, de Cambridge (...)”.
O facto de Swift recorrer variadas vezes à descrição minuciosa permite ao leitor ávido “multiplicar os mundos possíveis” que qualquer devorador de livros deseja aquando da leitura dos mesmos.
No início da viagem, o narrador diz:
“Iniciei esta viagem desesperada a 15 de fevereiro de 1715, às 9 da manhã. O vento estava favorável (...) avancei à média de uma légua e meia por hora, segundo os meus cálculos aproximados”- fazendo-nos pensar que se trataria de uma simples história sobre um cirurgião naval ousado e os seus relatos de viajante, mas, na verdade, a obra é muito mais do que isso, é uma sátira à natureza humana.
Através da fantasia e despertando o prazer da ficção, Swift escreve um livro político para criticar fortemente os vícios e costumes da sociedade vigente em Inglaterra nos finais do século XVIII.
Naturalmente, o facto de esta obra mascarar uma crítica tão profunda de uma forma tão subtil faz com que se torne ainda mais interessante e sedutora.
Neste aspeto, Jonathan assemelha-se a Gil Vicente, que recorreu ao texto dramático para criticar os costumes da sociedade portuguesa como é percetível em obras como “Farsa de Inês Pereira” ou “Auto da Barca do Inferno” exploradas nas aulas de português.
Além disso, a obra de Swift relaciona-se tematicamente com “Os Lusíadas” e a “História Trágico-Marítima”onde os aspetos do valor simbólico das viagens e o encontro de civilizações são também exploradas.
Fazendo um balanço final, considero esta obra genial pelo facto de ocultar uma sátira tão acutilante.
“As Viagens de Gulliver” permite despertar o espírito que é tão importante enquanto fator de mudança social por isso penso que a sua leitura é de extrema importância, especialmente na minha faixa etária, uma vez que somos os jovens de hoje, os adultos de amanhã.



Maria Duarte, nº22, 10º CT3.

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